Personagens e tensão
Como encontrar o protagonista humano de uma apresentação de resultados?
Escolha de quem é a experiência por trás dos indicadores. Um procedimento para apresentar resultados com protagonista humano e conservar a leitura dos dados.
Revisado em
Adaptação editorial da Storytellers a partir dos manuscritos consultados de O Guia Completo do Storytelling, de Fernando Palacios e Martha Terenzzo. As aplicações e os exercícios desta página são propostas da adaptação; os exemplos hipotéticos estão identificados no texto.
Assuntos: Protagonismo
Por trás do indicador, alguém tenta fazer alguma coisa.
Protagonismo humano em uma apresentação de resultados é a escolha da pessoa cuja ação permite acompanhar o que os indicadores significam. A pergunta de Fernando Palacios e Martha Terenzzo, sobre de quem é a história e quem aprende nela, orienta esse recorte. A experiência escolhida deve ser ligada aos dados sem ser apresentada como prova de todo o conjunto.
Nesta leitura
Por que números claros ainda podem deixar uma apresentação distante?
Exemplo hipotético: uma gestora leva à diretoria uma melhora no prazo de manutenção. Ela já limpou os gráficos e explicou o cálculo, mas a discussão termina na cor dos indicadores. Uma técnica de campo poderia mostrar outra entrada: antes, ela voltava a um equipamento sem a peça necessária; agora consegue encerrar o chamado. A mudança interessa porque altera uma ação reconhecível. Os números ainda precisam demonstrar sua dimensão.
Os números podem estar corretos e a experiência representada por eles continuar invisível. Quem apresenta resultados precisa decidir de quem é a história e o que essa pessoa tenta fazer diante da mudança medida.
Como o Guia orienta a escolha do protagonista?
Fernando Palacios e Martha Terenzzo propõem perguntar de quem é a história e quem tem algo a aprender em uma apresentação. Em O Guia Completo do Storytelling, o protagonismo é a via pela qual o público acompanha uma experiência, em vez de receber somente uma sucessão de informações.
Para essa aplicação, procure alguém afetado pelos indicadores, com objetivo, ação e consequência que possam ser narrados. A organização pode ser o assunto e a responsável pelo trabalho. O ponto de vista humano torna visível como esse trabalho é vivido. A pessoa escolhida não precisa ser a mais graduada nem a mais eloquente.
É melhor explicar o gráfico ou começar com um depoimento?
Uma apresentação analítica, com comparação, base e interpretação dos indicadores, é adequada quando o grupo precisa avaliar tendências e decidir recursos. Um depoimento aprofundado é adequado para conhecer a experiência e formular perguntas que os números agregados não respondem. Ambos podem ser rigorosos.
O gráfico sozinho pode deixar sem resposta como a mudança acontece na rotina. Um depoimento sozinho pode sugerir que uma experiência representa a população inteira. A contribuição do protagonismo é construir a passagem entre as escalas: acompanhar uma ação individual, explicar o que ela permite entender e voltar ao conjunto medido sem confundir uma pessoa com toda a base.
Como escolher entre cliente, equipe e liderança?
Escolha o ponto de vista que torna a decisão da reunião compreensível. Se a diretoria vai discutir condições de execução, a técnica de campo pode revelar o que muda no trabalho. Se vai avaliar impacto no serviço, um cliente pode mostrar a consequência percebida. Essa escolha depende da pergunta, não de uma hierarquia fixa de personagens.
No exemplo, a gestora deve conferir se o episódio da técnica ocorreu, obter autorização pertinente e procurar casos que dificultem sua leitura inicial. Um chamado resolvido não prova sozinho uma melhora geral. Um chamado malsucedido tampouco invalida automaticamente o indicador. As duas escalas precisam ser examinadas.
- Nomeie a decisão que o grupo tomará a partir dos resultados.
- Liste quem é afetado e o que cada pessoa tenta realizar.
- Escolha uma ocorrência com ação e consequência documentáveis.
- Explique que parte do resultado essa ocorrência ilustra e o que ela não representa.
- Apresente a medida agregada com base, período e limites reais.
A marca pode ocupar esse lugar?
O Guia discute a personificação como condição para a marca protagonizar uma experiência. Nesta aplicação, é mais produtivo começar pela pergunta sobre quem age, deseja e aprende do que tentar atribuir emoções diretamente ao logotipo.
Uma ferramenta, um serviço ou um processo podem viabilizar a ação. Isso não exige transformá-los em uma pessoa. Na manutenção hipotética, o novo sistema de peças ajuda a técnica a concluir o chamado; o que a apresentação acompanha é a dificuldade dela, sua decisão e o efeito sobre o atendimento. O papel da organização fica claro pelo que realizou.
Como testar a apresentação antes de levar à diretoria?
Mostre a abertura e o primeiro gráfico a alguém que não participou da redação. Pergunte: quem estava tentando fazer o quê, o que mudou e o que o indicador permite concluir? Se a resposta for apenas o nome do projeto, falta tornar a experiência reconhecível. Se for apenas uma história emocionante, falta ligar a experiência ao resultado.
Use esse procedimento quando uma decisão puder ganhar compreensão com um ponto de vista humano. Em uma prestação de contas que exige planilhas completas, conserve a documentação integral. Protagonismo ajuda a narrar a interpretação; não dispensa a medida nem autoriza fabricar uma pessoa representativa.