Experiências, design e varejo

Quando um projeto de design está contando uma história e quando só usa o rótulo?

Avalie a presença de transformação, ponto de vista e relações entre acontecimentos antes de chamar um projeto de storytelling.

Revisado em

Adaptação editorial da Storytellers a partir de O Guia Completo do Storytelling, de Fernando Palacios e Martha Terenzzo. Exemplos hipotéticos e exercícios foram elaborados para esta adaptação. A coautoria da obra não implica redação ou aprovação pessoal desta versão pelos coautores.

Assuntos: Design

O rótulo de história precisa encontrar acontecimentos no projeto.

Um projeto de design está contando uma história quando permite acompanhar acontecimentos relacionados, a partir de um ponto de vista, com alguma mudança compreensível. Ter conceito, repertório ou uma sequência de telas pode apoiar essa experiência, mas não basta para demonstrá-la. O Guia Completo do Storytelling reconhece que consumir boas histórias não equivale a saber construí-las; a verificação deve recair sobre o que o projeto oferece ao público.

Nesta leitura

O que apresentar quando o cliente pergunta onde está a história?

Num exemplo hipotético, um estúdio apresenta uma identidade visual como storytelling. Já mostrou referências de cinema e explicou o conceito da paleta. O cliente pede para compreender a história e a equipe volta a falar das mesmas referências.

A decisão é demonstrar uma experiência narrativa ou nomear com precisão outro mérito do trabalho. A presença de design consistente não depende de ele receber o rótulo de história.

Qual limite o livro reconhece na relação entre design e narrativa?

Na discussão sobre design em O Guia Completo do Storytelling, Fernando Palacios e Martha Terenzzo defendem a utilidade da narrativa e também reconhecem um limite: repertório de filmes e livros não substitui o aprendizado de construir histórias.

Esse ponto evita usar a proximidade entre artes como prova de que toda criação já narra. A passagem permite formular uma avaliação do projeto, sem precisar repetir os juízos pessoais ou as citações da polêmica histórica que a acompanha.

A explicação do designer basta para o público perceber a narrativa?

A apresentação pode revelar intenções que o artefato sozinho não comunica. Se a história só aparece no discurso de venda do projeto, talvez ela seja uma narrativa sobre o processo, enquanto o público recebe uma identidade, um sistema ou uma interface.

No exemplo do estúdio, atribuir essa história automaticamente ao público cria uma promessa que o trabalho pode não cumprir. A dificuldade fica invisível porque os autores do projeto já conhecem todas as relações que o usuário teria de construir.

Como comparar excelência funcional e força simbólica?

A avaliação funcional verifica se as tarefas são executadas com clareza e adequação. A avaliação simbólica investiga associações, reconhecimento e expressão. São dimensões substantivas de design. O critério narrativo acrescenta outra pergunta: que relação entre acontecimentos pode ser acompanhada e que mudança se torna compreensível?

Um projeto pode ser excelente nas duas primeiras dimensões sem organizar uma narrativa. Também pode conter história e falhar funcionalmente. A análise precisa conservar essa independência para que nenhum rótulo sirva de certificado geral de qualidade.

Como demonstrar a história presente no projeto?

Num exemplo hipotético, uma exposição acompanha uma oficina que precisa restaurar uma máquina com peças escassas. O visitante conhece o problema, observa tentativas, vê uma decisão e encontra suas consequências. Imagens, objetos e percurso permitem reconstruir essa relação.

Para avaliar outro projeto, escreva o estado inicial, os acontecimentos conectados, o ponto de vista e o que muda. Depois mostre o artefato a alguém sem a apresentação do estúdio e peça que reconstrua o percurso. É um diagnóstico de compreensão, não uma competição para ver quem adivinha a intenção autoral.

Como ligar o diagnóstico à revisão do projeto?

Localize a relação que o público não conseguiu acompanhar e descubra se falta informação, ordem ou consequência. Às vezes a revisão é narrativa; em outras situações, basta descrever o trabalho como sistema visual, orientação ou experiência interativa.

A distinção acolhe o argumento do livro sobre aprender a construir histórias e permite atribuir mérito pelo que está efetivamente presente. Não exige inserir personagens ou um drama onde a tarefa do projeto pede outra solução.

Que teste fazer antes de fechar a apresentação?

Pergunte: que mudança, ponto de vista e relação entre acontecimentos o projeto permite acompanhar? Peça exemplos que apontem para partes concretas do artefato e compare com a reconstrução de usuários.

Se a resposta depender inteiramente da explicação comercial, revise a promessa ou a experiência. O resultado útil é poder demonstrar a história quando ela existe e defender com precisão os outros valores do design quando eles são o centro do trabalho.

Leituras relacionadas