Fundamentos

Como definir o público no briefing de uma narrativa?

Prepare ou revise um briefing entre meios: acompanhe uma decisão de conto a áudio e cena, localize a passagem a ajustar e justifique a revisão no seu projeto.

Revisado em

Adaptação editorial da Storytellers a partir de O Guia Completo do Storytelling, de Fernando Palacios e Martha Terenzzo (Alta Books, 2016). Os exemplos hipotéticos e exercícios foram elaborados para esta adaptação. A coautoria da obra não implica redação ou aprovação pessoal desta versão pelos coautores.

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Um briefing entre mídias precisa mostrar o que a mesma pessoa acompanha quando muda sua forma de participar.

Definir o atento no briefing narrativo é explicitar quem acompanha a experiência, qual escolha precisa compreender e como poderá participar em cada meio. Fernando Palacios e Martha Terenzzo usam atento em O Guia Completo do Storytelling para reunir leitores, plateias, jogadores e ouvintes. Nesta aplicação, o conceito orienta um briefing de conto, áudio e cena, com tarefas e indícios para revisar a continuidade.

Nesta leitura

Como começar um briefing que atravessa conto, áudio e cena?

Imagine o planejamento de uma oficina. O documento promete uma leitura, uma gravação e uma cena participativa. Os materiais estão prontos. A equipe sabe quem distribui o texto, quem aperta o play e quem conduz a atividade. Falta uma pergunta: o que a pessoa leva da leitura para conseguir decidir quando a cena começar?

Essa falta aparece num detalhe. No conto, Lia se prepara para cumprir uma promessa. No áudio, seu amigo Caio pede que ela espere. Na cena, os participantes escolhem o que Lia fará. Se cada material for tratado como uma atividade isolada, a equipe pode oferecer três encontros com a história e perder a relação que torna a escolha interessante.

Se você é educador ou autor e está preparando ou revisando uma experiência entre meios, traga um rascunho do percurso e ao menos um dos materiais previstos. Vamos acompanhar os fatos da oficina, preencher o briefing e localizar uma revisão. O objetivo é mostrar como manter a decisão compreensível quando a pessoa muda de meio: o que ela já sabe, o que descobre e o que poderá propor.

A oficina e suas personagens são exemplos hipotéticos criados para esta adaptação editorial da Storytellers. A situação serve para experimentar decisões de planejamento. Nenhum resultado de participação, atenção ou aprendizagem foi medido com ela.

Quando usar leitor, público-alvo, participante ou atento?

Leitor e ouvinte especificam relações com uma peça. Público-alvo delimita a quem o projeto se destina. Participante identifica quem toma parte numa atividade. Atento, na terminologia do Guia, reúne quem acompanha histórias em experiências diferentes. Esses termos podem cumprir funções complementares no mesmo briefing.

Em O Guia Completo do Storytelling, Fernando Palacios e Martha Terenzzo incluem leitores, plateias, jogadores e ouvintes entre os possíveis atentos. O livro usa a palavra para simplificar referências a diferentes audiências. A propriedade da contribuição está nesse modelo autoral, que dá um nome compartilhável à relação com a narrativa.

Nesta aplicação, vamos usar o termo para manter uma pessoa em vista quando ela passa do conto ao áudio e à cena. A ficha ainda precisa dizer quem é essa pessoa, o que ela sabe e em que condições participa. O nome escolhido ganha utilidade junto dessas decisões.

Uma equipe também pode desenhar o percurso com as palavras público ou participantes. Se já explicita as tarefas e as transições, possui uma solução competente. Adotar atento é uma escolha de vocabulário e de referência ao modelo do Guia; o trabalho de planejamento continua aparecendo no que a pessoa recebe e faz.

Para explorar a discussão conceitual, o ensaio Teoria dos Atentos, publicado pela Storytellers em 2020, tem crédito de Fernando Palacios e Pedro Kastelic. A autoria desse ensaio e a coautoria do livro pertencem às respectivas obras. Aqui, vamos permanecer na tarefa de escrever o briefing.

O que é preciso saber sobre quem participará?

O briefing precisa registrar as condições que afetam a experiência proposta: conhecimento anterior da história, possibilidade de acessar cada material, disposição de participar da cena e apoio necessário para acompanhar a tarefa. Informações de perfil ajudam quando mudam alguma dessas decisões.

Para nossa oficina hipotética, assumiremos um grupo que ainda desconhece Lia e Caio. As pessoas receberão uma passagem curta, uma mensagem de áudio e uma situação para continuar. Poderão justificar uma escolha oralmente ou por escrito. Essas são condições definidas para o exercício, a confirmar quando o projeto encontrar um grupo real.

Considere a pergunta “o grupo conhece o conflito?”. Se a resposta for sim, o conto pode recuperar apenas o ponto de decisão. Se for não, precisa apresentar o compromisso de Lia antes de cobrar uma posição. O mesmo campo do briefing produz duas versões de material, em vez de acumular adjetivos sobre o público.

Outra pergunta útil é “cada pessoa terá acesso à informação nova do áudio?”. Quando essa informação for indispensável, a equipe prepara uma forma equivalente de consultá-la, como a transcrição da mensagem. Registrar a alternativa permite organizar a oficina sem pressupor que todos acessarão o conteúdo do mesmo jeito.

Público ainda desconhecido pede hipóteses identificadas e perguntas para conferir. Por exemplo: “Pressupomos que conseguem ler a passagem no tempo disponível; verificar no ensaio de instruções”. Assim, a ficha mantém visível o que já foi decidido e o que depende do encontro com as pessoas.

Qual história a pessoa acompanhará do começo ao fim?

A experiência acompanha Lia diante de dois compromissos: entregar o roteiro do grupo no horário combinado e considerar o pedido de seu amigo Caio para esperar. Os fatos abaixo permanecem estáveis durante as três etapas. Essa base permite discutir interpretações sem mudar a história para favorecer uma resposta.

Lia prometeu à coordenação entregar o roteiro até as dezoito horas. Às dezessete e cinquenta e cinco, ela já está com o envelope na porta da sala de entrega. Caio, que participou da criação, pede por mensagem que ela espere até dezoito e cinco. Lia conhece o horário e confia no amigo, mas ainda desconhece o motivo do atraso.

No áudio, Caio explica que a última página impressa pertence a uma versão anterior. Na reunião de ontem, o grupo escolheu outro final. Ele percebeu a troca e está levando a página corrigida. A mensagem termina com um pedido para Lia esperar. A coordenação ainda pode ser procurada; a resposta a um eventual pedido de prazo permanece em aberto.

Esse último fato permite mais de uma ação. Lia pode tentar falar com a coordenação, explicar o problema, entregar o que possui com uma ressalva ou esperar pelo amigo. Cada escolha precisa considerar o compromisso de horário, o conteúdo entregue e o acordo do grupo. A atividade pede uma justificativa, preservando espaço para propostas diferentes.

A amizade aparece na confiança depositada no pedido de Caio. A promessa aparece no horário assumido por Lia. A troca da página acrescenta uma consequência concreta à espera. O participante recebe essas informações em momentos diferentes, e o briefing descreve como elas se encontram.

Por que listar as atividades pode deixar a experiência indefinida?

Uma lista de atividades organiza a operação. Para orientar a continuidade narrativa, ela precisa também explicitar a função de cada parte. Compare o planejamento abaixo com os fatos que acabamos de estabelecer.

Primeira versão: “Os leitores recebem o conto. Depois, os leitores escutam uma mensagem. Por fim, os leitores participam de uma cena e conversam sobre a história”. A equipe consegue distribuir materiais com esse texto. Ainda precisa decidir qual informação deve sobreviver a cada passagem e o que será pedido na conversa.

A insuficiência deste briefing é localizada. A expressão conversar sobre a história admite comentários sobre amizade, pontualidade, preferência por áudio ou lembranças pessoais. Todos podem ter lugar numa oficina, mas oferecem respostas a perguntas diferentes. Quem prepara a cena continua sem saber o que precisa tornar compreensível.

Uma revisão possível é escrever a decisão: “A pessoa acompanha o pedido para adiar uma entrega e escolhe a próxima ação de Lia, justificando como ela considera o horário prometido e o problema da página trocada”. Agora, uma informação tem função e uma resposta tem objeto. A lista de atividades pode continuar no documento como roteiro de operação.

Como fica um briefing preenchido dessa oficina?

Um briefing preenchido relaciona a situação, a informação oferecida em cada etapa, a participação proposta e o material que permitirá revisar o percurso. Na nossa oficina, o vínculo é a decisão de Lia. A tabela apresenta uma versão executável, criada para esta adaptação.

A formulação central é: “Os participantes acompanham uma decisão entre cumprir um horário prometido e considerar um pedido de espera. O conto estabelece o compromisso e a hesitação de Lia. O áudio revela o problema da página trocada pelo ponto de vista de Caio. Na cena, cada participante propõe a próxima ação e a justifica com elementos das duas peças”.

A equipe pode usar essa frase como referência ao revisar o restante do documento. Uma fala nova de Caio deve ajudar a compreender seu pedido. Uma instrução nova deve tornar a ação proposta mais clara. Um elemento que desvia o foco pode ser guardado para outra versão, caso tenha função nela.

O briefing também declara o que ficará aberto: a coordenação ainda não respondeu, a amizade não obriga concordância e nenhuma ação foi eleita como solução oficial. O que a atividade solicitará é uma escolha apoiada no material. A diferença entre escolher e justificar orienta a preparação de quem vai conduzir a conversa.

Campo do briefingPreenchimento no exemploDecisão de preparação
Situação acompanhadaLia decide o que fazer diante do prazo e do pedido de Caio.Manter o mesmo conflito nas três etapas.
Condições de partidaGrupo desconhece a história e receberá os materiais em sequência.Apresentar o compromisso antes de pedir julgamento.
Contribuição do contoHorário prometido, envelope e hesitação.Deixar o motivo do amigo para a peça seguinte.
Contribuição do áudioPágina antiga e correção a caminho.Tornar o novo dado identificável, com transcrição disponível.
Participação na cenaPropor a próxima ação de Lia e explicar seu custo.Aceitar justificativa oral ou escrita, com apoio nos materiais.
Indício para revisãoJustificativa usa prazo e página trocada, ou revela dúvida sobre eles.Localizar a informação/instrução que pede esclarecimento.
Limite do indícioResposta à tarefa específica dessa oficina.Registrar o que ocorreu antes de interpretar o motivo.

Como escrever a passagem que entrega o conflito inicial?

O conto precisa oferecer o compromisso e uma ação observável antes de introduzir o pedido do amigo. A passagem seguinte é uma peça hipotética da oficina, não uma transcrição do Guia.

“Lia apertou o envelope contra o peito e conferiu o relógio: dezessete e cinquenta e cinco. Naquela manhã, prometera entregar o roteiro até as dezoito. A porta da coordenação estava aberta. Quando estendeu a mão para bater, o celular vibrou. Era Caio: ‘Espera por mim. Dez minutos. Por favor’. Lia olhou outra vez para o relógio.”

Até aqui, a pessoa sabe o que Lia prometeu e reconhece que o pedido ultrapassa o horário. O motivo de Caio continua em aberto. Uma pergunta compatível com essa passagem seria: “Que informação você gostaria de ter antes de aconselhar Lia?”. Ela prepara uma necessidade de contexto que o áudio poderá atender.

Compare com uma abertura que começasse por um longo histórico da amizade. A relação poderia ganhar espessura, mas a oficina ainda precisaria mostrar o compromisso em jogo. Para este recorte, conhecer o prazo oferece apoio direto à decisão. Outros detalhes da amizade podem servir a um conto mais longo, com outra finalidade.

Antes da escuta, o facilitador recolhe perguntas formuladas a partir do texto. “Por que Caio atrasou?” e “A coordenação aceita entrega depois das dezoito?” apontam lacunas diferentes. A gravação responderá à primeira; a segunda poderá orientar uma ação na cena. Essa separação ajuda a evitar que uma resposta posterior pareça resolver tudo.

O que o áudio acrescenta à mesma escolha?

O áudio acrescenta o motivo do pedido de Caio. A pessoa que escutou passa a considerar a diferença entre entregar no horário e entregar a versão combinada pelo grupo. O conteúdo novo altera os elementos disponíveis para a decisão.

Uma mensagem possível é: “Lia, a última página está errada. Eu vi agora. Foi a versão de antes da reunião. O final que a gente escolheu ontem ficou no outro arquivo. Estou levando a página certa e chego às dezoito e cinco. Você consegue me esperar?”. A transcrição permite consultar exatamente as mesmas informações durante a atividade.

A interpretação da voz pode sugerir pressa ou preocupação, desde que o exercício explique o que foi escolhido na gravação. Para a tarefa deste briefing, a informação sobre a página é o apoio indispensável. Caso o áudio seja substituído por uma leitura da mensagem, a pessoa ainda deve conseguir considerar esse dado na escolha.

Após a escuta, a pergunta muda: “O que você sabe agora que ainda não sabia no conto?”. Uma resposta como “Caio está com pressa” pode levar a equipe a pedir a passagem que sustenta isso e procurar o motivo do pedido. Uma resposta que identifica a página antiga oferece um apoio mais específico para discutir a entrega.

Aqui está a função da transição: conservar o compromisso de Lia enquanto acrescenta a perspectiva do amigo. A informação nova se conecta a algo já recebido. A pessoa pode mudar de opinião ou manter sua proposta, agora explicando como tratou o problema do roteiro. A oficina ganha matéria para conversa em ambos os casos.

Como transformar a cena numa tarefa de participação?

A cena oferece a oportunidade de agir sobre o impasse apresentado. A instrução precisa dizer qual ação pode ser proposta, que materiais continuam válidos e como a justificativa entrará na conversa. Isso permite preparar a participação sem exigir atuação de todos.

Uma instrução utilizável seria: “Lia continua diante da porta e acabou de ouvir Caio. Proponha sua próxima ação. Você pode escrever uma fala, encenar um gesto ou descrever o que ela fará. Depois explique como sua proposta trata o prazo prometido e a troca da página. Use pelo menos uma informação do conto e uma da mensagem”.

Uma pessoa pode propor que Lia entre e peça autorização para esperar. Sua justificativa relaciona o prazo à possibilidade de negociar. Outra pode propor entregar o envelope acompanhado de uma explicação e combinar a substituição posterior. Essa saída precisa reconhecer que a aceitação da correção ainda depende da coordenação.

Quem sugere esperar em silêncio tem outra tarefa de justificativa: dizer como considera o compromisso e que consequência aceita correr. A escolha pode ser discutida pelo grupo sem que o facilitador precise trocar os fatos para torná-la absurda. Perguntas de seguimento ajudam: “O que sua personagem sabe? O que está supondo? A quem precisaria perguntar?”.

O briefing informa ainda como registrar propostas de quem prefere observar a encenação. Essa pessoa pode escrever a ação que apoiaria e uma razão ligada ao material. O registro mantém a tarefa compartilhável, enquanto cada um participa de uma forma prevista. A execução concreta vai depender das condições do grupo e do espaço disponível.

Como revisar uma passagem que perdeu o vínculo narrativo?

A revisão começa pela dúvida observada e volta ao material que deveria oferecer apoio. Suponha, como simulação do exercício, que uma justificativa afirme: “Eu esperaria porque o Caio esqueceu o envelope”. A história apresentada dizia que Lia já carregava o envelope. A resposta sugere um ponto a investigar no percurso.

Uma primeira versão da instrução poderia ter dito apenas: “Ouçam Caio e decidam se vão ajudá-lo”. O foco foi deslocado para uma disposição geral de ajudar. A equipe pode revisar a passagem assim: “Lia já tem o envelope. Ao ouvir a mensagem, que problema ela descobre sobre o que está levando? Como isso afeta a próxima ação?”.

Essa revisão reapresenta o objeto e pede que a informação nova encontre seu lugar na situação. Ela não revela qual decisão tomar. Se, depois dela, a proposta reconhecer a página antiga e ainda preferir entregar no horário, haverá uma escolha argumentável. O desacordo deixa de ser confundido com desconhecimento dos fatos.

Outra dúvida possível é a pessoa achar que a página corrigida já chegou. Nesse caso, convém conferir como o futuro foi expresso na mensagem e se a transição pulou o tempo de espera. Uma alteração localizada pode tornar a chegada prevista explícita. Acrescentar outra atividade inteira seria uma resposta mais ampla do que o problema identificado pede.

O registro de revisão pode ficar simples: “Dúvida: quem possui o quê neste momento. Apoio disponível: conto mostra envelope com Lia; áudio diz que Caio está levando uma página. Alteração: retomar esse estado antes da cena. Verificação seguinte: ouvir como alguém explica a situação após receber a nova instrução”. Esse registro conserva a razão da mudança e a pergunta que ela busca esclarecer.

O que uma resposta permite observar nessa oficina?

Uma resposta permite examinar o que a pessoa expressou diante de uma tarefa e de materiais determinados. Na oficina, a equipe pode observar quais fatos entram na justificativa, que relações são propostas e quais dúvidas aparecem. O registro deve conservar a resposta antes de classificá-la.

Por exemplo, “eu entregaria porque prometeu” usa o compromisso de Lia. A equipe pode perguntar como a proposta considera a página trocada. “Eu pediria prazo porque o final está errado” relaciona informações dos dois meios, e ainda permite discutir o que será feito se o pedido for recusado. Essas diferenças orientam o próximo turno da conversa.

Uma pausa, uma pergunta ou uma resposta breve pode ter razões diversas. Vale perguntar o que falta para continuar e conferir o acesso aos materiais. A equipe encontra um dado concreto quando alguém diz “não ouvi a parte sobre a página”. A partir daí, pode oferecer a transcrição e retomar a tarefa, em vez de atribuir uma característica à pessoa.

Chamar o participante de atento continua sendo uma referência ao modelo do Guia. A medida de atenção ou aprendizagem exigiria sua própria definição e procedimento. Neste planejamento, registramos apoios utilizados e dificuldades expressas na tarefa de escolher uma ação para Lia. É esse alcance que as anotações precisam carregar.

Registro possível, hipotéticoO que se pode examinarPergunta de continuação
“Lia deve cumprir o horário.”O prazo foi utilizado como critério.Como sua proposta trata a página antiga?
“Ela pode pedir para trocar o final depois.”A pessoa propõe uma negociação.Quem precisa concordar com essa troca?
“Caio já trouxe o roteiro inteiro.”O estado dos objetos diverge do material.Em que passagem você encontrou essa informação?
“Não ouvi o motivo do pedido.”Há uma dificuldade declarada de acesso ao conteúdo.Quer consultar a transcrição antes de decidir?

Quando uma organização mais simples já resolve?

Uma tabela por modalidade pode resolver quando cada parte possui tarefa clara e a passagem entre elas exige pouca informação adicional. Um percurso detalhado ajuda quando a decisão final depende do que a mesma pessoa recebeu em momentos diferentes. A escolha do planejamento acompanha a necessidade do projeto.

Se a oficina consistisse apenas em comparar a leitura de uma passagem com sua interpretação sonora, a ficha poderia se concentrar no que muda na expressão. A cena de decisão talvez acrescentasse trabalho sem servir à pergunta. Nesse caso, vale ajustar o projeto para sustentar a comparação pretendida.

No exemplo de Lia e Caio, a mensagem acrescenta o problema da página trocada e a cena pede uma ação apoiada nesse conhecimento. O percurso mostra como conservar a decisão ao passar de uma peça à seguinte. A informação sobre a página também pode chegar por uma mensagem escrita, como permite a transcrição. A escolha dos meios continua sendo uma decisão do projeto.

O mesmo critério vale para o vocabulário. Leitor pode ser suficiente para especificar uma entrega de texto. Participantes pode funcionar como designação comum da oficina. Atento, com referência ao Guia, ajuda a nomear a relação narrativa ao longo das mudanças. A clareza do percurso pode ser conferida com qualquer uma dessas escolhas.

Como levar o briefing para o seu projeto agora?

Escolha uma situação do seu projeto em que alguém precisará tomar uma decisão depois de passar de um meio a outro. Com o rascunho do percurso e os materiais em mãos, volte aos campos da tabela do briefing da oficina e faça quatro registros. Eles vão ligar a situação à revisão que você pretende testar.

Situação e decisão: “A pessoa acompanha [situação] e poderá propor [ação]”. Informação que atravessa a mudança de meio: “Ela recebe [informação] em [material de origem] e precisa considerá-la em [material seguinte]”. Localize a passagem nos dois materiais. No exemplo de Lia, o prazo apresentado no conto continua valendo quando a mensagem revela a página trocada e a cena pede uma ação.

Instrução e revisão: copie a instrução atual, escreva a alteração proposta e complete “Mudei este trecho porque [informação ou relação] precisava ficar compreensível na passagem”. Condição do público a confirmar: registre “Ainda precisamos saber se [condição]; vamos conferir por [pergunta ou ensaio de instruções]”. No exemplo, a revisão retoma quem está com o envelope e com a página; antes de uma oficina real, ainda seria preciso conferir se cada participante consegue consultar a mensagem e sua transcrição.

Confira se outra pessoa consegue localizar a situação, a informação e a instrução nos seus materiais. Se uma ligação depender apenas do que a equipe sabe, registre onde ela precisa aparecer. Conserve também a condição do público como pergunta aberta até conferi-la. O resultado deste preenchimento é uma revisão justificada para experimentar; a recepção do público continua a verificar.

Para trabalhar a seleção do que precisa aparecer em cada peça, continue pela diferença entre story e telling. O próximo trabalho é escolher o detalhe que mantém a decisão compreensível em uma versão curta. Leve consigo o briefing preenchido: ele dirá para quem essa versão está sendo preparada e qual passagem precisa de apoio.

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