Universos, mídias e continuidade
Como adaptar a participação do público entre livro, jogo, filme e palco?
Adapte a mesma situação narrativa pela atividade oferecida ao público, conferindo escolhas, ponto de vista e proximidade em cada formato.
Revisado em
Adaptação editorial da Storytellers a partir de O Guia Completo do Storytelling, de Fernando Palacios e Martha Terenzzo. Os exemplos hipotéticos e exercícios foram elaborados para esta adaptação. A coautoria da obra não implica redação ou aprovação pessoal desta versão pelos coautores.
Assuntos: Adaptação
Mudar o meio também muda o que o público pode fazer.
Adaptar a participação do público é decidir que atividade uma narrativa oferece em cada formato, além de transportar suas cenas. Um exercício da palheta do Guia Completo do Storytelling reformula a mesma situação para imaginar, escolher, ver ou acompanhar de perto. Essas são possibilidades de projeto, não essências fixas dos meios. A adaptação precisa testar como a atividade escolhida se relaciona com acontecimentos, perspectiva, ritmo e consequências acessíveis ao público.
Nesta leitura
Por que preservar todas as cenas pode não preservar a experiência?
Num exemplo hipotético, uma equipe adapta uma história de resgate para livro, jogo e palco. Já manteve personagens e sequência, mas o jogo exige que o público apenas avance diálogos, enquanto a divulgação promete decisões importantes.
A escolha ainda não foi feita no projeto: a pessoa vai acompanhar a decisão de alguém ou poderá alterar alguma coisa? Mudar o suporte não responde automaticamente a essa pergunta.
O que a palheta muda ao comparar formatos?
A palheta ligada a O Guia Completo do Storytelling, de Fernando Palacios e Martha Terenzzo, usa a mesma situação de um general para formular convites diferentes: imaginar, mostrar uma decisão, ver uma atuação e acompanhá-la de perto.
A contribuição está em trocar o verbo da experiência, mantendo uma base narrativa. Essa leitura não afirma que um livro só permita imaginar, que um filme não convoque escolhas mentais ou que toda peça dependa do mesmo tipo de proximidade.
Por que acrescentar botões pode não criar participação narrativa?
Um botão pode controlar navegação, consulta ou ritmo sem alterar os acontecimentos. Isso pode ser útil; o problema aparece quando se promete uma escolha que não modifica nada do que foi oferecido como consequência.
No resgate hipotético, clicar para abrir uma porta inevitável é uma ação de interface. Se o público foi convidado a decidir quem será resgatado, a mesma ação pode parecer insuficiente. O custo vem da diferença entre atividade real e convite.
Como comparar fidelidade às cenas e mudança da experiência?
A fidelidade às cenas pode conservar informações, ritmo e reconhecimento da obra. A transformação pode usar recursos do novo formato para construir outra relação com o público. Os critérios são continuidade e pertinência: repetir tudo pode desperdiçar a atividade oferecida, e transformar sem critério pode eliminar a relação central da história.
As duas abordagens podem ser adequadas. A decisão depende de qual experiência precisa ser preservada e do que o formato permite implementar com clareza.
Como projetar uma adaptação a partir da participação?
No exemplo hipotético, defina a base: alguém precisa escolher entre rotas de resgate com custos distintos. No livro, a perspectiva pode deixar o leitor conhecer apenas parte da informação; no jogo, uma escolha pode alterar o percurso; no palco, a presença pode tornar a espera compartilhada.
Essas são opções novas de exercício editorial. Escolha uma, descreva o que o público faz e mostre a consequência correspondente no protótipo. Não atribua interatividade, imersão ou emoção apenas ao nome do meio.
Como manter a promessa consistente entre apresentação e experiência?
Compare a frase que convida o público com sua atividade efetiva. Se a promessa é decidir, indique o domínio da decisão; se é acompanhar, construa uma perspectiva que torne o percurso significativo. Uma experiência de contemplação pode ser completa sem oferecer ramificações.
O exercício da palheta ajuda a formular o convite. A implementação e a observação do público mostram se ele é compreensível e se recebe a resposta prometida.
Qual pergunta levar ao protótipo?
Pergunte: você quer que a pessoa escolha, veja, imagine ou acompanhe de perto? Depois deixe espaço para combinações e outras atividades que o projeto realmente ofereça.
Teste um trecho em vez de converter toda a obra de imediato. Observe o que a pessoa acredita poder fazer e o que acontece quando tenta. A comparação oferece critérios concretos para a adaptação seguinte.