Estratégia e histórias de marca
Como definir o propósito messiânico de uma história corporativa?
Defina o aprendizado que uma história corporativa pretende apoiar. Entenda o propósito messiânico do Guia sem prometer preparação ou mudança automáticas.
Revisado em
Adaptação editorial da Storytellers a partir dos manuscritos consultados de O Guia Completo do Storytelling, de Fernando Palacios e Martha Terenzzo. As aplicações e os exercícios desta página são propostas da adaptação; os exemplos hipotéticos estão identificados no texto.
Assuntos: Propósito
Uma história precisa saber para qual escolha oferece companhia.
Propósito messiânico é o termo usado por Fernando Palacios e Martha Terenzzo para o ensinamento vital de uma história. Na aplicação corporativa, ajuda a definir qual aprendizado uma experiência oferece diante de uma situação decisiva. O propósito orienta a escolha e a composição do episódio, mas não garante preparação para crises nem substitui instrução, recursos ou prática.
Nesta leitura
Como escolher o propósito de uma história sobre mudança?
Situação hipotética: uma equipe prepara o encontro que anuncia a integração de duas unidades. Já reuniu depoimentos de entusiasmo e uma cronologia do projeto. Os gestores precisam explicar uma decisão de trabalho, mas o roteiro ainda promete apenas “inspirar a mudança”. O impasse é transformar essa intenção ampla num aprendizado que pertença à história e à situação real das pessoas.
Escolha a capacidade que a história deve ajudar o público a exercitar diante de uma situação decisiva. O assunto pode ser uma reorganização, um lançamento ou uma nova diretriz; o propósito pede dizer o que alguém poderá compreender ou examinar a partir da experiência narrada.
O que significa propósito messiânico no Guia?
Propósito messiânico é o termo de Fernando Palacios e Martha Terenzzo para o ensinamento vital que uma história carrega. Em O Guia Completo do Storytelling, os autores aproximam experiências narradas de situações difíceis para as quais o leitor ou ouvinte pode querer se preparar. Estendem essa leitura aos momentos de mudança corporativa.
O termo nomeia uma ambição de significado. Sua aplicação aqui não promete que ouvir uma história deixará alguém preparado para qualquer crise. Uma narrativa oferece uma experiência para examinar; a capacidade de agir depende também de conhecimento, recursos, prática e das condições concretas da situação.
Para acompanhar o vocabulário do autor antes do livro, consulte a formulação de propósito messiânico em 2015; a leitura aqui continua situada na contribuição dos dois coautores.
O propósito deve inspirar ou ensinar um procedimento?
Inspirar uma disposição pode ser adequado num encontro que precisa abrir uma conversa sobre possibilidades. Ensinar um procedimento é adequado quando a pessoa tem uma tarefa definida e precisa saber executá-la. São objetivos diferentes, com formas de verificação diferentes.
Uma disposição ampla pode deixar sem resposta a decisão que aguarda o público. Um procedimento pode ser explicado sem que as pessoas entendam o dilema ao qual responde. A contribuição do propósito messiânico é procurar o aprendizado que une experiência e importância: que situação difícil esta história torna possível reconhecer, e o que a pessoa consegue pensar ou tentar a partir dela?
Como sair de “inspirar a mudança” para uma intenção verificável?
Na integração hipotética, o propósito pode ser ajudar gestores a reconhecer quando manter uma prática local e quando buscar um critério comum. A história escolhida precisa mostrar alguém enfrentando essa escolha, com as consequências e os limites que realmente existiram. Uma celebração do projeto talvez não forneça essa matéria.
O roteiro não precisa responder a todas as decisões da integração. Precisa entregar integralmente a contribuição que promete. Se a experiência narra somente a descoberta de um problema, formule um propósito de reconhecimento e discussão, sem anunciar uma competência operacional que ela não ensina.
- Complete: “Diante de ___, esta experiência ajuda o público a reconhecer ou fazer ___.”
- Escolha um episódio que mostre a dificuldade e uma decisão pertinente.
- Identifique o que a personagem precisou aprender para agir de outra forma.
- Separe o que a narrativa mostra do que exige formação, recurso ou prática adicionais.
- Planeje uma pergunta ou atividade que permita ao público examinar esse aprendizado.
Como conferir se o propósito pertence à história?
Retire o slogan e observe o percurso. A experiência precisa sustentar o aprendizado desejado por meio das escolhas e consequências. Se a tese só aparece na fala final, talvez você tenha escolhido uma história que oferece outro sentido.
No exemplo hipotético, uma decisão bem-sucedida de padronização não demonstra que toda diferença local deva desaparecer. Preserve o contexto que tornou aquela escolha pertinente. O propósito ajuda a selecionar o percurso, mas não autoriza deformar fatos ou apagar perdas para produzir uma conclusão conveniente.
Qual próximo passo cabe ao responsável pelo encontro?
Escreva a frase de propósito e peça a alguém da operação que identifique uma situação real à qual ela se aplica. Compare o episódio disponível com essa situação. Se não há relação concreta, revise o propósito ou procure outra matéria antes de avançar no roteiro.
Quando a necessidade é informar uma nova regra, ofereça a regra e os canais de aplicação. Quando a necessidade exige treinamento, planeje prática e acompanhamento. A história pode contribuir com reconhecimento e significado sem ocupar sozinha o lugar de toda a preparação.