Estratégia e histórias de marca
Como avaliar um projeto de storytelling antes de se perder nos detalhes de produção?
Avalie a experiência prometida por um projeto narrativo com perguntas sobre curiosidade, imaginação e desenvolvimento antes de detalhar a produção.
Revisado em
Adaptação editorial da Storytellers a partir de O Guia Completo do Storytelling, de Fernando Palacios e Martha Terenzzo. Os exemplos hipotéticos e exercícios foram elaborados para esta adaptação. A coautoria da obra não implica redação ou aprovação pessoal desta versão pelos coautores.
Assuntos: Avaliação
A planilha pode explicar o custo sem explicar a vontade de continuar.
Avaliar um projeto de storytelling é examinar se sua proposta permite compreender o que acompanhar, por que continuar e como o desenvolvimento sustentará esse interesse. A palheta do Guia Completo do Storytelling separa essa experiência dos detalhes de produção e oferece perguntas sobre curiosidade e imaginação. A avaliação narrativa não substitui orçamento ou viabilidade: ajuda a evitar que precisão operacional seja tomada como prova de uma história que ainda não consegue se apresentar.
Nesta leitura
O que falta quando a produção está clara e a história não?
Num exemplo hipotético, uma produtora apresenta um projeto de série com cronograma, elenco e orçamento detalhados. Já ampliou a apresentação visual, mas os responsáveis pela decisão continuam sem entender o que gostariam de acompanhar entre um episódio e outro.
A pergunta é sobre a experiência proposta. Saber como será produzido não resolve sozinho por que alguém dedicaria atenção àquilo.
O que a fonte pede antes de opinar?
As notas de avaliação ligadas a O Guia Completo do Storytelling, de Fernando Palacios e Martha Terenzzo, pedem que o projeto se apresente como narrativa e deixam os detalhes organizados separadamente. As perguntas procuram interesse, curiosidade, imaginação e possibilidade de desenvolvimento.
A contribuição é avaliar o percurso que o projeto oferece, sem deixar a apresentação depender apenas da explicação do dispositivo. Isso não transforma preferência do avaliador em medida universal de qualidade.
Por que perguntar apenas se alguém gostou pode deixar o projeto no mesmo lugar?
Gostar ou não gostar pode iniciar uma conversa, mas não localiza o que funcionou ou o que falta. Uma pessoa pode rejeitar o gênero e ainda identificar um conflito claro; outra pode adorar as referências e não perceber o problema de continuidade.
No exemplo da produtora, coletar votos sem perguntar a razão pode levar a mudanças de estilo que preservam a lacuna central. O custo é revisar a apresentação sem decidir qual experiência precisa melhorar.
Como comparar viabilidade, conceito e experiência?
A viabilidade permite julgar execução e recursos. O conceito explicita a proposta e suas relações. A experiência narrativa mostra como alguém pode entrar, acompanhar e querer continuar. Os critérios se complementam: uma produção possível pode ter narrativa fraca, e uma apresentação envolvente pode ser inexequível.
Escolher o critério em discussão evita exigir que uma sinopse resolva um orçamento ou que uma planilha demonstre curiosidade. Cada documento precisa responder pela pergunta que pode tratar.
Como aplicar as perguntas de avaliação?
Peça um trecho representativo e uma descrição do desenvolvimento possível. Depois pergunte o que a pessoa quer descobrir, que relação imaginou e qual promessa percebeu para a continuação. Peça que aponte a parte que gerou essa expectativa.
No projeto hipotético de série, uma apresentação pode sugerir uma disputa que se encerra no primeiro episódio, enquanto promete continuidade por uma temporada. A revisão deve mostrar de onde virão novas escolhas e consequências, sem fabricar perguntas que a história não pretende responder.
Como transformar uma impressão em decisão de projeto?
Separe reação, trecho observado e hipótese de revisão. Uma pessoa que perdeu interesse ao ouvir a explicação do universo oferece um dado local sobre aquela apresentação; não uma regra contra construir universos.
O conjunto de perguntas da palheta serve para aprofundar a conversa. Quando a dificuldade é de compreensão, revise o que se apresenta; quando é de desenvolvimento, examine a estrutura; quando é de execução, volte às condições de produção.
Qual pergunta ajuda a fechar essa etapa?
Pergunte: você quer saber o que acontece depois e consegue explicar por quê? Compare as respostas com a experiência que a equipe pretendia oferecer e com o desenvolvimento disponível.
Se houver curiosidade sobre algo que o projeto nunca desenvolverá, ajuste a promessa. Se o percurso estiver claro, leve a mesma precisão para orçamento e produção. A avaliação fica mais útil quando distingue os problemas e preserva a possibilidade de revisão.